Voz do Fundador

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In this image made from television, cardinals convene in the Sistine Chapel at the Vatican, Monday, April 18, 2005 to begin secret deliberations to choose a new leader of the world's 1.1 billion Catholics, the first papal conclave of the new millennium. The doors to the chapel decorated with frescoes by Michelangelo and wired with electronic jamming devices to thwart eavesdropping were shut, leaving the 115 voting "princes" of the church to decide whether to hold their first round of voting for a new pope Monday or wait until Tuesday. (AP Photo/APTN)

 Conclave

 

 Um  Papa que renuncia é um evento que não acontece sempre, de fato a mais de 600 anos não acontecia . Ainda são muitas, as curiosidades e perguntas que animam a imprensa e as pessoas comuns. 

 

      Papa Ponciano, em 235, foi condenado a trabalhar numa mina na Sardenha. Papa Silvério, em 537, foi obrigado a abdicar e constrito a exilar-se na Ásia Menor. Martinho V foi preso e mandado para a Criméia. Sobre o Papa João XVIII, em 1009, não se tem muita certeza, mas é muito provável que tenha renunciado.  Bento IX, em 1044, renunciou e após voltou ao papado. Posteriormente Celestino V, que reconheceu não estar preparado e por fim Gregório XII em 1415.

 

      De particular importância é as informações fornecidas pelo porta-voz vaticano sobre o início do Conclave. De acordo com o previsto pela Constituição a partir do começo da sé vacante abre-se espaço para as congregações dos cardeais.

 

     Esses momentos serão muito importantes, mas também delicados, durante os quais, além das várias obrigações legais, se preveem conversações e intercâmbios entre cardeais sobre os problemas a serem resolvidos e a situação da Igreja, “de modo a amadurecer também para os membros do colégio, critérios e informações uteis sobre as eleições”.

 

   Os primeiros Conclaves sofriam muitas influências externas, especialmente por parte das autoridades civis. Somente em 1059, com o Papa Nicolau II, foi emitido o primeiro documento pontifício sobre o Conclave, onde era indicado com precisão que “somente os cardeais tem o direito e o dever de eleger o Papa”. Regra válida até os dias de hoje. Posteriormente, em 1079, foi fixada a maioria de 2/3 dos votantes.

 

     O Conclave, que vem do latim cum clave (fechado), foi instituído apenas em 1271 pelo Papa Gregório X e a obrigação do voto secreto, somente a partir de 1621, para dar maior liberdade aos votantes.

 

      A obrigação do ‘segredo dos Cardeais’, durante e após o Conclave, veio apenas com o papado de São Pio X, e que incluía também a obrigatoriedade da conservação da documentação do conclave em arquivos.

 

      Em 1922, um Motu Proprio de Pio XI determinou a espera de 15 dias para se iniciar o Conclave, a fim de aguardar a chegada dos Cardeais de todo o mundo.

 

      Foi publicada no dia 25 de fevereiro, a Carta Apostólica de Bento XVI em forma de Motu Proprio “Normas nonnullas”, sobre algumas modificações nas regras relativas à eleição do Romano Pontífice.  No documento, Bento XVI faz algumas alterações nas normativas precedentes para  garantir o melhor desempenho de respeito, mesmo com ênfase diferente, da eleição do Sumo Pontífice, e de uma mais correta interpretação e aplicação de algumas disposições.

 

    “Nenhum cardeal eleitor poderá ser excluído tanto da eleição ativa quanto da passiva por nenhum motivo ou pretexto, exceto conforme previsto nos números 40 e 75 da Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis”, afirma Bento XVI.

 

     O Papa deixa ao Colégio Cardinalício a faculdade de antecipar o início do Conclave se consta da presença de todos os cardeais eleitores, como também a faculdade de prolongar, se existirem motivos graves, o início da eleição por alguns outros dias. Passados ao máximo vinte dias do início da Sé Vacante, todos os cardeais eleitores presentes devem proceder à eleição.

 

     Especificam-se as normas para o sigilo do Conclave: Todo o território da Cidade do Vaticano e também a atividade ordinária dos escritórios dentro de seu âmbito deverão ser regulados, no dito período, a fim de garantir a discrição e o desempenho livre de todas as operações ligadas à eleição do Sumo Pontífice. Em particular deverá ser previsto, com a ajuda de prelados clérigos, que ninguém se aproxime dos cardeais eleitores durante o percurso da Casa Santa Marta ao Palácio Apostólico Vaticano.

 

   Todas as pessoas que por qualquer motivo e em qualquer tempo ficarem sabendo do que diretamente ou indiretamente concerne aos atos relativos à eleição, sobretudo em relação às cédulas na própria eleição, são obrigadas ao segredo absoluto com qualquer pessoa que não faça parte do Colégio dos Cardeais eleitores. Para esse objetivo, antes do início das eleições, eles deverão fazer juramento segundo modalidades precisas na consciência de que uma sua infiltração levará a excomunhão “latae sententiae”, reservada à Sé Apostólica.

 

   Foram abolidas as eleições por aclamação e por compromisso. A única forma reconhecida de eleição do Romano Pontífice é a de voto secreto.

 

    Se as votações das quais nos números 72, 73 e 74 da Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis não terão êxito, ficou estabelecido que se dedique um dia de oração, reflexão e diálogo. Nas votações sucessivas, terão voz passiva somente os dois nomes que na votação precedente obtiveram o maior número de votos, nem poderá retirar-se da disposição que para a eleição válida, mesmo nestes votos, é exigida a maioria qualificada de pelo menos dois terços dos votos dos cardeais do presentes e votantes.

 

     Realizada canonicamente a eleição, o último dos Cardeais diáconos chama na sala da eleição o secretário do Colégio Cardinalício, o mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias e dois Mestres de Cerimônias; então o Cardeal Decano, ou o primeiro dos cardeais por ordem e idade, em nome de todo o Colégio dos eleitores pede o consenso do eleito com as seguintes palavras: Aceita a sua eleição canônica como Sumo Pontífice? E apenas recebido o consenso ele pergunta: Como gostaria de ser chamado? Então o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, atuando como tabelião e as tendo como testemunhas dois Mestres de Cerimônias, redige um documento sobre a aceitação do novo Papa e o nome tomado por ele”.   

     A Constituição Apostólica Vacantis Apostolicae Sedis, de 8 de dezembro de 1945, do Papa Pio XII, determinou a maioria de 2/3 mais 1 dos votos dos Cardeais.

 O Motu Proprio Summi Pontificis electio, de João XXIII teve por objetivo uma simplicação do processo eleitoral. As listas das votações deveriam ser conservadas em um arquivo e consultadas somente com a autorização de um Papa. As anotações dos cardeais também deveriam ser conservadas e não queimadas como no tempo de Pio XII e por fim, deveriam ser queimadas somente as cédulas eleitorais.

    Somente em 1978, o Papa João Paulo II fixou que o Conclave deveria ser realizado na Capela Sistina. Paulo VI dizia que ‘normalmente’ os Conclaves deveriam ser ali realizados, mas sem uma obrigatoriedade. Ao longo da história, se dizia que o Conclave deveria ser realizado no local onde o Pontífice viesse a morrer. Conclaves foram realizados no Palácio Quirinale, em Roma, ex-residência dos Papas, em quatro oportunidades.

    Também foi João Paulo II a estabelecer a Casa Santa Marta como local de acolhida dos Cardeais durante o Conclave. João Paulo II também aboliu as formas de eleição ‘por aclamação’ ou ‘por compromisso’, mantendo apenas a forma ‘por escrutínio’.

  O Papa é bispo de Roma e chefe Universal da Igreja. Em função desta estreita ligação, cada Cardeal, independente do país de origem, é titular de uma paróquia em Roma.

 

    Somente um pontífice pode alterar as regras que regem um Conclave. Este que será realizado em março, será o 75º Conclave da história.

 

Pe. Geovane Ferreira Silva

 

 Rezemos a Oração oficial para o conclave

 

Espírito Santo, Luz Divina, nós Vos adoramos. Repletos de gratidão, reconhecemos o vosso agir constante na Igreja.

 

Neste momento solene de nossa história, imploramos a vossa assistência aos que tem a missão de eleger o sucessor de Pedro.

 

Fortalece-os na intimidade convosco.

 

Infundi neles o principio da sabedoria, o santo temor de Deus.

 

Abri sua alma e sua mente às vossas inspirações. Alegrai-os com vossa firme direção. Vosso conselho lhes demonstre o caminho da prudência, os liberte da hesitação e os anime para a ação confiante.

 

Dede já derramai a vossa bênção sobre aquele que assumirá o pastoreio de vossa Igreja.

 

Estimulai a nossa co-responsabilidade, na oração e no respeito, na obediência e na ação apostólica, partilhando o peso de sua responsabilidade. Amém.

 

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